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	<title>Arquivos REN482 - Inergial</title>
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	<description>Re&#183;energize</description>
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	<item>
		<title>Capacidade de Hospedagem e Valor Locacional: Um Novo Olhar para a REN 482</title>
		<link>https://inergial.com.br/capacidade-de-hospedagem-e-valor-locacional-um-novo-olhar-para-a-ren-482/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Barbieri Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2020 18:03:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Energia Renovável]]></category>
		<category><![CDATA[REN482]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://inergial.com.br/?p=1517</guid>

					<description><![CDATA[<p>Introdução Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2029 (PDE 2029), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a expansão indicativa da oferta de energia elétrica virá predominantemente do gás natural, eólica, solar e da geração distribuída (GD). As fontes renováveis terão forte participação na expansão [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Introdução</strong></p>



<p>Segundo
o Plano Decenal de Expansão de Energia 2029 (PDE 2029), elaborado pelo
Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), a expansão indicativa da oferta de energia elétrica virá
predominantemente do gás natural, eólica, solar e da geração distribuída (GD).
As fontes renováveis terão forte participação na expansão devido a
competitividade em custo nivelado, mas precisarão ser equilibradas por usinas
despacháveis (termelétricas a gás natural).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1030" height="417" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia-1030x417.jpg" alt="" class="wp-image-1518" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia-1030x417.jpg 1030w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia-300x121.jpg 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia-768x311.jpg 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia-705x286.jpg 705w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/capacidade-instalada-em-2019-e-em-2029-GW-por-fonte-tecnologia.jpg 1247w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /><figcaption> Figura 1 – capacidade instalada em 2019 e em 2029 (GW) por fonte/tecnologia (valores arredondados).<br> Fonte: (MME/EPE, 2020).</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Embora
o PDE seja apenas um indicativo de expansão, fatores externos podem alterar
significativamente a análise. Recentemente, o efeito da pandemia da COVID-19
sobre o consumo de eletricidade é expressivo. No Brasil, nota-se queda
considerável no consumo de eletricidade de consumidores industriais e
comerciais e que deve ser recuperado apenas quando as atividades econômicas
voltarem a normalidade em todo o País. O consumo de eletricidade dos
consumidores residenciais, entretanto, aumentou pontualmente 6% em abril (EPE, 2020). Contudo, a expansão, ainda que em
menor nível, deverá ainda ser positiva no decênio analisado.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Recursos
Energéticos Distribuídos (RED)</strong></p>



<p>Os
RED são os recursos de geração e armazenamento de energia e incluem a geração
distribuída (GD), eficiência energética, armazenamento com baterias, veículos
elétricos e tecnologias de resposta da demanda. Alguns recursos são aplicados
pelos consumidores de energia elétrica e estão ‘atrás do medidor’ (<em>behind-the-meter</em>).</p>



<p>Dada
a natureza ainda incipiente dos RED em geral, o recurso mais proeminente no
Brasil é a GD, sobretudo os sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD)
fotovoltaicas que representam mais de 90% da GD (ANEEL,
2020a).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>A Geração
Distribuída no Brasil</strong></p>



<p>Com
a regulamentação da GD pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) desde
2012, aliado à queda substancial dos preços dos equipamentos que compõem os
sistemas fotovoltaicos, o retorno do investimento encurtou e a GD ficou mais
atrativa. Portanto, é esperado que a GD cresça pelo País rapidamente. Mas como?</p>



<p>Atualmente
é improvável que se tenha sob domínio tantas variáveis para se determinar
precisamente quando, o quanto e onde serão instalados novos geradores
distribuídos.</p>



<p>Não
conseguir responder essa pergunta com segura e certeza revela um grande desafio
de planejamento, principalmente para as empresas distribuidoras de energia. Se
elas soubessem com precisão como a potência de geração distribuída evoluiria em
tempo e espaço nas suas redes, o planejamento do sistema de distribuição seria
facilitado, mas esse não é o caso ainda.</p>



<p>Novos
sistemas fotovoltaicos só se revelam para as distribuidoras no momento que elas
recebem a solicitação de conexão. A partir desta solicitação as distribuidoras analisam
o projeto e suas características. Dados como a capacidade do gerador, potência
do inversor e localização são fundamentais para analisar o seu impacto sobre a confiabilidade
de operação da rede, mais detalhadamente no alimentador. Caso a potência de
geração possa ser acomodada, emite-se a autorização para instalação (parecer de
acesso) e posterior conexão com a rede elétrica, mediante inspeção técnica.</p>



<p>A
análise, entretanto, não precisa ocorrer após a solicitação. As distribuidoras
podem analisar a sua capacidade de conectar (acomodar) sistemas de MMGD e
antecipar possíveis impactos em sua rede, positivos ou negativos, indicando a potência
máxima que ainda pode ser conectada. Essa análise determina o que é conhecida
como<em> Hosting Capacity</em>, ou <a>Capacidade de
Hospedagem</a>, em uma tradução literal.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Como
o Capacidade de Hospedagem Pode Ajudar as Distribuidoras?</strong></p>



<p>A
Capacidade de Hospedagem (CH) é a potência de GD, ou qualquer outro RED, que
pode ser conectado a uma rede elétrica de distribuição sem afetar a qualidade
da energia fornecida antes que melhorias ou reforços precisem ser executados na
infraestrutura elétrica.</p>



<p>Frequentemente,
por exemplo, a capacidade máxima de hospedagem para a geração situada no
cliente está na seção de um alimentador radial mais próximo de uma subestação e
o valor mínimo está na seção de alimentador mais distante de uma subestação.
Embora a GD fotovoltaica seja o atual foco da análise da CH – devido à sua
penetração comparativamente alta – essa análise também pode avaliar a
capacidade de hospedar outras tecnologias, como armazenamento distribuído e
veículos elétricos. (McAllister, et al., 2019)</p>



<p>Um
ponto de partida para se estimar a CH é conhecer qual a carga em uma localidade
e quanto ela representa do máximo que pode ser suprido. A diferença é uma ‘disponibilidade’
que pode acomodar novos recursos distribuídos.</p>



<p>Como
um sistema de distribuição pode servir consumidores com perfis de consumo
distintos, é normal que algumas localidades tenham CH diferentes entre si. Além
disso, a carga em uma localidade pode variar significativamente e qualquer
estimativa – <em>grosso modo</em> – fica sujeita a grande incerteza.</p>



<p>Alta
inserção de GD em uma localidade pode ter impacto negativo na rede causando sobretensão,
variação na frequência e distorções harmônicas, prejudicando, portanto, a
qualidade da energia. Assim, custos com melhorias e reforços de infraestrutura nessas
localidades tenderão a ser antecipados pelas distribuidoras. Por outro lado, a
mesma taxa de inserção pode aliviar alimentadores e transformadores em outras
localidades, adiando custos.</p>



<p>A
localização adequada da GD reduz as perdas do alimentador e diminui a carga dos
transformadores. Em estudos de pesquisa, minimizar as perdas do alimentador
adicionando GD geralmente é formulado como um problema de otimização. A
situação mais benéfica ocorre quando a GD está conectada perto da carga que
está sendo atendida. A integração das unidades com GD pode reduzir os riscos de
sobrecarga, minimizar as perdas do sistema, estender a vida útil do equipamento
da rede e melhorar as propriedades térmicas de alimentadores e transformadores (Ismael, et al., 2019).</p>



<p>À
medida que melhorias são feitas, a CH aumenta. Assim, mais potência de GD pode
ser adicionada com o tempo. A CH, então, não é um limite fixo e estático, mas um
balanço dinâmico dependente da inserção de GD e de melhorias na infraestrutura
ao longo de um período.</p>



<p>Na
Califórnia, empresas de distribuição determinam a CH avaliando os seus
alimentadores e usam isso para o planejamento do sistema de distribuição, que
inclui apontar localidades ótimas para a instalação de geradores distribuídos.
O resultado da análise da CH gera um mapa com dados, por exemplo, da capacidade
de GD existente e a capacidade disponível para conexão em cada alimentador. Uma
escala de cores indica a CH em quilowatts (kW) disponível naquele momento.</p>



<p>Distribuidoras
em outros estados americanos têm utilizado mapas similares para indicar as suas
CH. O método para o cálculo, os dados publicados e sua periodicidade de
atualização variam para cada distribuidora e ainda não há consenso sobre quais
critérios e parâmetros devem ser utilizados e padronizados para se determinar a
CH.</p>



<p>A
divulgação do mapa de CH é controversa. Alguns alegam que os dados são
sensíveis demais para serem divulgados publicamente. Entretanto, a <em>Hawaiian
Electric Company</em> adotou uma solução simples – o seu mapa (disponível
publicamente) informa a capacidade como um percentual da disponibilidade. Área
marcadas em vermelho indicam 5% ou menos de capacidade para hospedar novos
geradores distribuidores; áreas em azul indicam 50% ou mais e apontam as
localidades ótimas com muita disponibilidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1030" height="567" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí-1030x567.jpg" alt="" class="wp-image-1519" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí-1030x567.jpg 1030w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí-300x165.jpg 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí-768x423.jpg 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí-705x388.jpg 705w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2020/07/mapa-de-disponibilidade-da-Ilha-do-Havaí.jpg 1092w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /><figcaption> Figura 2 – mapa de disponibilidade da Ilha do Havaí (Hawaii Island).<br> Fonte: (Hawaiian Electric Company, 2020).</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>No
Brasil, a Cemig dá uma importante contribuição quando lançou publicamente em
junho de 2020 o seu mapa de disponibilidade como ferramenta <em>online</em> para
informar a disponibilidade de ligação para novas conexões de empreendimentos
fotovoltaicos de geração distribuída (Cemig,
2020). O mapa da Cemig é uma iniciativa da empresa em conjunto com a Secretaria
de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais para alavancar a GD nas áreas de
concessão da distribuidora e indicar a capacidade da rede elétrica para
conectar novos sistemas de minigeração. Em seu site a empresa diz “Além da
facilidade na obtenção da informação, a ferramenta irá aumentar a transparência
e agilidade nos estudos, além de direcionar os empreendedores para locais
viáveis, com melhor aproveitamento dos ativos e redução de investimentos no
sistema elétrico, o que consequentemente contribui para a modicidade tarifária”.</p>



<p>O
mapa de disponibilidade contempla as mais de 400 subestações da Cemig e indica
a disponibilidade das subestações por cores:</p>



<p>Verde – Há disponibilidade para atendimento;</p>



<p>Amarela
&#8211; Disponibilidade está limitada ou condicionada a uma obra estruturante;</p>



<p>Vermelha
&#8211; A capacidade de atendimento está 100% comprometida;</p>



<p>Cinza
&#8211; A subestação está planejada para construção.</p>



<p>A
Cemig acomoda quase 53 mil unidades consumidoras com geração distribuída,
totalizando quase 657 MW (ANEEL, 2020b).
A empresa é líder em GD no País com aproximadamente 20% de toda a capacidade
instalada nacional (dados de 24 de julho de 2020).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Valor
Locacional dos RED</strong></p>



<p>À
medida que a GD cresce na área de concessão de uma distribuidora, sua receita
diminui gradualmente. O planejamento do seu sistema de distribuição é alterado
e os custos com infraestrutura são eventualmente antecipados. Por isso, uma distribuidora
pode ter interesse em saber como adiar custos de infraestrutura e se beneficiar
da GD. Nesse sentido a CH é essencial para indicar quais localidades são ótimas
para que a GD cresça mais rapidamente, adiando esses custos.</p>



<p>A
capacidade de hospedagem sozinha poderá não ser suficiente para que
consumidores queiram investir em MMGD. É preciso, então, atribuir valor ao
benefício dos geradores distribuídos de uma certa localidade. Neste contexto, o
valor locacional tem muita importância para sinalizar o valor de contribuição do
gerador distribuído, incentivando a GD em localidades indicadas.</p>



<p>Com
o potencial futuro alto nível de penetração da GD, as distribuidoras podem
precisar instituir sinais de preços locacionais para indicar onde estão as
localidades de menor custo para conexão (Howard,
et al., 2012). O valor locacional dos recursos distribuídos é importante
porque recursos estrategicamente localizados podem adiar <em>upgrades</em> na
transmissão e na distribuição (McAllister, et
al., 2019).</p>



<p>Determinar
o valor locacional, entretanto, não é tarefa fácil. Com maior inserção de GD,
sobretudo geradores fotovoltaicos com geração intermitente, o valor tenderá a
variar no tempo e no espaço; o valor locacional terá granularidade mais fina e
exigirá mais esforço de gestão e planejamento das distribuidoras. Assim como a
CH, o valor locacional tenderá a ser diferente em cada localidade.</p>



<p>O
componente mais importante do valor locacional é o valor postergado na infraestrutura
e normalmente é expresso em $/kW, por ano (McAllister,
et al., 2019). O valor locacional, entretanto, será maior se outras
componentes foram consideradas e mensuradas como, por exemplo, o valor social
(aumento do número de empregos no setor) e ambiental (emissão evitada de CO<sub>2</sub>)
do gerador distribuído.</p>



<p>Investimentos
evitados em sistemas de transmissão ou compra evitada de energia despachada na
geração centralizada (GC), que beneficiem a distribuidora, também podem ser
considerados proporcionalmente no valor locacional, embora tais valores sejam
mais difíceis de serem determinados.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>A
Experiência Internacional com o Valor Locacional</strong></p>



<p>Nos
EUA, os estados da Califórnia e Nova Iorque foram os que mais avançaram na
análise sobre o valor locacional de RED. Na Califórnia o objetivo da análise
foi entender onde os RED podiam adiar custos com a infraestrutura de rede,
usando essas informações no planejamento das redes de distribuição. Em Nova
Iorque a análise foi utilizada para criar tarifas e programas para incentivar a
instalação em localidades preferenciais, além de incluir os benefícios nas
tarifas de medição líquida de energia (McAllister,
et al., 2019).</p>



<p>A
CH e os benefícios locacionais dos RED são praticamente um consenso que devem
integrar o cálculo do valor locacional enquanto outros benefícios mais
subjetivos podem ser polêmicos. De qualquer forma, quanto mais componentes se
analisa para compor o valor locacional, maior ele será.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Como
o Valor Locacional pode Propor uma Revisão Diferente da REN 482?</strong></p>



<p>Em
2018 o relatório de Análise de Impacto Regulatório
(AIR) publicado pela ANEEL sugeriu alternativas para alterar
o sistema de compensação de energia. A tarifa de fornecimento fora decomposta
em várias componentes tarifárias e prossumidores locais deixariam de compensar
a componente ‘fio B’, representada pela alternativa 1, e o custo de energia
injetada seria equivalente a 28% da tarifa de fornecimento.</p>



<p>Em
outubro de 2019 – às vésperas da data limite para revisão – a ANEEL publicou a
sua proposta de revisão. Diferentemente do relatório de AIR, a proposta impõe
custo de injeção equivalente a 62% da tarifa de fornecimento após gatilho de
potência de 5,9 GW ou a partir de 2030, o que ocorrer primeiro.</p>



<p>Atualmente
a compensação de energia é integral, incentivando a GD no País, mas a Agência e
distribuidoras alegam que a regra não pode ser mantida. A ideia que ambas sustentam
é a possibilidade de subsídio cruzado. Ainda, há o temor da chamada ‘espiral da
morte’, conceito conhecido internacionalmente como <em>spiral of death</em> em
que as receitas das distribuidoras – gradualmente decrescentes à medida que a
GD se expande – são insuficientes para remunerar suas operações; portanto, tarifas
aumentam e atraem mais prossumidores. No limite, as tarifas se tornam
excessivamente caras e consumidores sem GD passam a subsidiar a expansão da infraestrutura
de rede para acomodar mais prossumidores. Quando isso acontece as tarifas são
distorcidas e o crescimento da GD não é sustentável e pode ter grande impactos
em médio e longo prazo em termos financeiros para a sociedade como um todo.</p>



<p>A
revisão da resolução normativa nº 482 de 2012 (REN 482) é polêmica e polariza
opiniões. De um lado, a proposta da Agência considera o potencial efeito danoso
da GD sobre as tarifas, distorcendo os preços da energia no varejo. As
distribuidoras endossam a proposta e afirmam que a revisão é necessária para
proteger a parcela de consumidores que não podem instalar geradores
distribuídos. De outro, empresas de soluções em GD – essencialmente empresas da
cadeia de valor da energia solar fotovoltaica – defendem a manutenção da regra,
responsável pelo desenvolvimento sem precedentes do mercado e consequente
geração de empregos.</p>



<p>A REN
482 define que reforços ou melhorias na rede e eventuais custos dessa natureza
são exclusivos das distribuidoras, exceto em caso de geração compartilhada e
minigeração; essa última, acima de 75 kW. Outros custos como a análise de projetos
submetidos para conexão à rede elétrica, emissão de parecer de acesso,
substituição de medidor de energia (por outro bidirecional) e o gerenciamento
da fatura do prossumidor, computando a energia injetada na rede, também são
exclusivos das distribuidoras.</p>



<p>É
provável, contudo, que as distribuidoras não queiram custear integralmente
esses <em>upgrades</em> e custos de integração, repassando-os parcial ou
integralmente aos consumidores através de aumentos na tarifa de fornecimento.</p>



<p>No
Brasil, sistemas fotovoltaicos residenciais representam quase ¾ da quantidade
de geradores distribuídos enquanto instalações comerciais (empresas) concentram
aproximadamente 40% da capacidade total instalada (ANEEL, 2020c). Por isso, um ponto de partida para as
distribuidoras é instituir preços locacionais para empresas, que têm maior
chance de instalar geradores distribuídos mais potentes.</p>



<p>A
REN 482 seguramente precisa ser revisada, não para restringir os incentivos
para os prossumidores, mas principalmente para prever certa flexibilidade para
que distribuidoras possam conceder descontos ou menores custos de injeção àqueles
consumidores cujos geradores distribuídos possam eventualmente postergar
investimentos. Assim, a resolução revisada indicaria regras e condições que
poderiam ser flexibilizadas em programas específicos das distribuidoras, desde
que ofereçam ganhos claros para prossumidores e não prejudiquem consumidores
sem GD.</p>



<p>Caso,
hipoteticamente, o custo de injeção determinado pela REN 482 seja de 42% da
tarifa, a distribuidora poderia reduzir esse valor em localidades de sua
preferência para, por exemplo, 30%, 20% ou até 0%. A REN 482, portanto, atuaria
como regra geral de âmbito nacional, mas flexível nas áreas de concessão à
critério das próprias distribuidoras.</p>



<p>Esquemas
de tarifação eficientes reduzem distorções mantendo o sinal econômico,
conectando-o com os preços no atacado e melhorando os incentivos para expansão
da GD (Barroso, 2019). A tarifa de
fornecimento continuaria regulada para cada distribuidora e região, garantindo
modicidade tarifária para os consumidores sem GD, mas os prossumidores
perceberiam essa flexibilidade como incentivo. A flexibilização pode ser temporária,
desde que previamente comunicada e acordada com os prossumidores, e validada de
acordo com o planejamento das distribuidoras.</p>



<p>Os
programas podem incluir descontos fixos por capacidade instalada ou proporcional
por kWh injetado em função do dia do ano e hora do dia, aumentando a
granularidade dos preços em tempo e espaço. Os descontos seriam dinâmicos, ou
seja, os valores podem variar à medida que a GD evolui e altera a CH ou as
projeções de custos de infraestrutura e poderiam, até mesmo, eventualmente
cessar depois de um certo período. Por isso, conhecer o valor locacional dos
recursos distribuídos é fundamental para a expansão sustentável da GD nos
aspectos técnicos, financeiros e social.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Os
Desafios da Geração Distribuída Brasileira</strong></p>



<p>Desde
que haja isonomia entre recursos centralizados e recursos distribuídos, ambos
podem competir para adicionar capacidade no sistema elétrico nacional. Resposta
da demanda e armazenamento, por exemplo, poderiam participar de mercados de
capacidade e serviços ancilares (MME/EPE, 2020).</p>



<p>Em
um ambiente de contratação livre – inclusive para consumidores de baixa tensão
– a parcela de energia injetada se torna comercializável para compra e venda
entre consumidores em transações <em>‘peer-to-peer’</em> (MME/EPE, 2020). Nesse sentido, a GD se expandiria além do aspecto
de economia para o prossumidor, mas também o tornaria um ator importante para o
sistema de distribuição da sua região. Com o amadurecimento da GD em todo o
País, os prossumidores terão papel fundamental no sistema elétrico como um
todo.</p>



<p>Outro
aspecto relevante da energia solar fotovoltaica é o seu valor de capacidade
(VC) que é a contribuição em potência que o recurso renovável pode oferecer
firmemente para o sistema. O valor pode ser indicado em Watts (W) ou em valor
percentual da potência nominal. Isso significa que além da geração de certa
quantidade de energia (kWh) em um dado período, os geradores distribuídos a
partir de recursos renováveis, e portanto, intermitentes, podem ter sua
contribuição em potência estimada para se conhecer sua real contribuição no
suprimento da carga.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p>A
expansão da GD atualmente não é confortável para as distribuidoras que têm
custos para analisar projetos e conectar prossumidores em suas redes. A REN 482
inicialmente criou condições favoráveis para incentivar a GD e é evidente que, agora,
precisa de reformas.</p>



<p>É
justo que os custos de análise de projeto e conexão sejam repassados diretamente
para o prossumidor, ao mesmo tempo que os benefícios técnicos de cada gerador
distribuído também sejam valorados, mesmo que isso não seja homogêneo em todas
as condições ou em qualquer região do País.</p>



<p>A
experiência internacional com a capacidade de hospedagem e o valor locacional
pode ser um ótimo guia, embora seja necessário esforço adicional para entender
regionalidades e adaptá-las em contexto nacional. Conhecer o valor locacional
da GD é fundamental para que as distribuidoras saibam quantificar os benefícios
em cada localidade. Programas de incentivo que oferecem descontos na fatura ou
tarifa podem atrair novos geradores distribuídos.</p>



<p>A
GD pode continuar crescendo sustentavelmente, sendo boa técnica e
economicamente para as distribuidoras, prossumidores e consumidores sem GD.
Desconsiderar os benefícios potenciais da GD neste momento pode negligenciar
oportunidades no futuro.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>ANEEL. (2012). Resolução Normativa n° 482. Fonte:
Disponível em <a href="http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf">http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf</a></p>



<p>_____ (2015). Resolução Normativa n° 687. Fonte:
Disponível em <a href="http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2015687.pdf">http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2015687.pdf</a></p>



<p>_____ (2018). Relatório de Análise de Impacto
Regulatório nº 0004/2018. Acesso em 17 de maio de 2020, disponível em <a href="https://www.aneel.gov.br/impacto-regulatorio">https://www.aneel.gov.br/impacto-regulatorio</a></p>



<p>_____ (2020). Unidades Consumidoras com Geração
Distribuída &#8211; Resumo por Tipo de Geração. Acesso em 24 de julho de 2020, disponível
em <a href="http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Fonte.asp">http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Fonte.asp</a></p>



<p>_____ (2020). Unidades Consumidoras com Geração
Distribuída &#8211; Resumo por Distribuidora. Acesso em 13 de julho de 2020,
disponível em <a href="http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Distribuidora.asp">http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Distribuidora.asp</a></p>



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<p>EPE. (2020). Resenha Mensal do Mercado de Energia
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epe.gov.br</p>



<p>Hawaiian Electric Company. (2020). Integration Tools
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<p>Howard, B.,
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<p>Ismael, S.
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<p>McAllister,
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Addressing Emerging Issues. Relatório
Técnico. NREL/TP-6A20-72038, National Renewable Energy Laboratory (NREL),
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<p>MME/EPE. (2020). Plano Decenal de Expansão de
Energia 2029. </p>



<p>NREL. (2020).
Advanced Hosting Capacity Analysis. Acesso em 18 de
abril de 2020, disponível em <a href="https://www.nrel.gov/solar/advanced-hosting-capacity-analysis.html">https://www.nrel.gov/solar/advanced-hosting-capacity-analysis.html</a></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p>Sobre o autor | <a href="https://www.linkedin.com/in/igor-cordeiro-inergial/">Igor
Cordeiro</a> é instrutor de energias renováveis na <a href="http://inergial.com.br/">Inergial Energia Ltda</a>.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Proposta de Revisão da Geração Distribuída: a quem interessa?</title>
		<link>https://inergial.com.br/proposta-de-revisao-da-geracao-distribuida-a-quem-interessa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Barbieri Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Nov 2019 18:53:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Energia Renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Energia Solar]]></category>
		<category><![CDATA[REN482]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://inergial.com.br/?p=1389</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu pela abertura de mais uma consulta pública, referente à Audiência Pública nº 001/2019, para receber contribuições, de 17 de outubro a 30 de novembro, sobre a sua proposta de revisão da resolução que regulamenta a geração distribuída (GD). A micro e a minigeração distribuídas foram regulamentadas no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
decidiu pela abertura de mais uma consulta pública, referente à Audiência
Pública nº 001/2019, para receber contribuições, de 17 de outubro a 30 de
novembro, sobre a sua proposta de revisão da resolução que regulamenta a
geração distribuída (GD).</p>



<p>A micro e a minigeração distribuídas foram
regulamentadas no Brasil em 2012 pela ANEEL através da Resolução Normativa
(REN) <a href="http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf">n° 482</a>, que
instituiu o modelo de <em>net-metering</em> no País. Em 2015, o regulamento foi
aprimorado, de modo a tornar o processo de conexão mais célere e ampliar o
acesso à geração distribuída para um número maior de unidades consumidoras.
Atualmente, a resolução permite a conexão de geradores de até 5 MW na rede de
distribuição, a partir de fontes renováveis de energia ou cogeração qualificada
(MME/EPE, 2018).</p>



<p>Na prática, a GD é composta por 99% de micro e
minigeradores solares fotovoltaicos para geração própria de eletricidade em algumas
modalidades, entre as mais usuais estão: (i) autoconsumo – geração na própria
unidade consumidora – (84%), (ii) autoconsumo remoto (15%) e (iii) geração
compartilhada (0,3%).</p>



<p>Como os aspectos técnicos já haviam sido
aprimorados anteriormente, o enfoque da nova revisão, que passará a vigorar em
2020, será o aspecto econômico e a forma de compensação de energia. Em 2018 uma
proposição de revisão criou alternativas (da alternativa 0 a alternativa 5)
para o <strong>Sistema de Compensação de Energia</strong>, que passaria a faturar, sobre
toda a energia consumida da rede (inclusive os créditos de energia),
progressiva e acumuladamente, diferentes componentes tarifárias.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img decoding="async" width="1030" height="553" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-1030x553.jpg" alt="" class="wp-image-1390" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-1030x553.jpg 1030w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-300x161.jpg 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-768x412.jpg 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-705x378.jpg 705w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas-450x242.jpg 450w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_alternativas.jpg 1032w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /><figcaption> Figura 1 – Alternativas sugeridas para o sistema de compensação.<br> Fonte: autoria própria com dados da ANEEL (2018).</figcaption></figure></div>



<p>As alternativas citadas remuneram as empresas distribuidoras
de energia elétrica caso o excedente de geração seja injetado na rede elétrica.
Os prossumidores (consumidores-geradores com GD) pagariam pelo uso da rede porque
ela passa a ter mais uma função para os sistemas conectados à rede: operar como
uma espécie de “bateria” ou “sistema de armazenamento” virtual.</p>



<p>No relatório de Análise de Impacto Regulatório
(AIR) publicado pela Agência em 2018, simulou-se manter a alternativa 0 (regra atual)
por 10 anos para instalações novas até que GD local (geração no local para autoconsumo)
atingisse 3,365 GW. Depois deste gatilho de potência as novas instalações
passariam a compensar diretamente pela alternativa 1. As instalações existentes
permaneceriam na alternativa 0 por 25 anos, tempo útil estimado de geração
fotovoltaica, garantindo segurança regulatória para os primeiros adotantes da
GD.</p>



<p>Para as micro e minigerações com compensação remota (geração longe do consumo) ou simplesmente GD remota, a análise sugeriu que o equilíbrio econômico seria desfeito em poucos anos e propôs dois gatilhos: 1,25 GW e 2,13 GW, esperados inicialmente para 2022 e 2025, respectivamente. O primeiro gatilho mudaria a compensação para a alternativa 1 e o segundo gatilho para a alternativa 3. Os detalhes desta sugestão podem ser vistos na figura abaixo e lidos no artigo “<a href="https://inergial.com.br/revisao-da-ren-no-482-impactos-para-a-geracao-distribuida-e-para-a-energia-solar/">Revisão da REN nº 482: Impactos para a Geração Distribuída e para a Energia Solar</a>”.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="1030" height="579" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-1030x579.jpg" alt="" class="wp-image-1391" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-1030x579.jpg 1030w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-300x169.jpg 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-768x432.jpg 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-705x397.jpg 705w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018-450x253.jpg 450w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-AIR-2018.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /><figcaption> Figura 2 – Sugestão de revisão da REN nº 482 dada pelo relatório de AIR em 2018.<br> Fonte: autoria própria com dados da ANEEL (2018).</figcaption></figure></div>



<p>O mercado reagiu à sugestão do relatório de AIR principalmente
pela adoção de gatilhos que representam baixa penetração da GD no sistema
elétrico. A maioria das reações criticou as regras para a GD remota que, em
algumas regiões, teriam redução significativa da sua Taxa Interna de Retorno
(TIR), inviabilizando muitos projetos. Na GD local, embora também exista
redução da TIR, os prossumidores estariam menos sensíveis à essa redução e o
período de retorno, ou <em>payback</em>, não aumentaria demasiadamente.</p>



<p>A revisão da resolução estava prevista desde 2015 e,
com o prazo se esgotando, a ANEEL abriu outra consulta pública e publicou a sua
proposta de revisão no dia 15 de outubro. Através de 6 infográficos de sua
autoria, a Agência resumiu o crescimento da GD e justificou a sua proposta da
seguinte forma.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1392" width="257" height="363" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-728x1030.png 728w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-212x300.png 212w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-768x1086.png 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-1060x1500.png 1060w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-498x705.png 498w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-01-450x637.png 450w" sizes="(max-width: 257px) 100vw, 257px" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1393" width="257" height="363" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-728x1030.png 728w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-212x300.png 212w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-768x1086.png 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-1060x1500.png 1060w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-498x705.png 498w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-02-450x637.png 450w" sizes="(max-width: 257px) 100vw, 257px" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1394" width="258" height="364" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-728x1030.png 728w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-212x300.png 212w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-768x1086.png 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-1060x1500.png 1060w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-498x705.png 498w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-03-450x637.png 450w" sizes="(max-width: 258px) 100vw, 258px" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-04-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1395" width="258" height="363"/></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-06-1-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1400" width="259" height="364"/></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Infográfico-GD_ANEEL-05-1-728x1030.png" alt="" class="wp-image-1398" width="257" height="361"/><figcaption> Figura 3 – Infográficos da proposta de revisão da REN nº 482.<br>Fonte: ANEEL, 2019.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A proposta, entretanto, espantou o mercado de GD porque ela é bem menos favorável comparado à sugestão de 2018. Houve um descompasso entre a expectativa gerada nas consultas públicas anteriores e a proposta publicada. A Agência simplesmente levou ao extremo a mudança da regra frustrando prossumidores e empresas recentemente estabelecidas para atender o mercado de GD, essencialmente pautado nas instalações fotovoltaicas.</p>



<p>Na GD local as instalações existentes continuariam
na regra atual (alternativa 0), mas o período de transição seria menor, até 31
de dezembro de 2030. A partir daí a mudança na regra de compensação salta
diretamente para a alternativa 5. Para novas instalações, a partir da
publicação da resolução revisada, a alternativa 2 passará a valer imediatamente
e o salto para a alternativa 5 será a partir de um novo gatilho de 5,9 GW, ou
2030, o que ocorrer primeiro. Com esta proposta, o período de transição da
alternativa 2 para a 5 será, no máximo, de 11 anos para as novas instalações.
Para as instalações existentes a garantia da regra atual por 25 anos foi frustrada
e será, no máximo, de 19 anos (considerando a instalação mais antiga conectada
em 2012).</p>



<p>A proposta é ainda mais dura com a GD remota porque
não há período de transição ou gatilho. As novas instalações passarão a
compensar diretamente pela alternativa 5 e o investimento deixa de ser atrativo
em muitos projetos. Segundo os cálculos da ANEEL, o <em>payback</em> descontado
médio para entrantes em 2020 seria de 26 anos tanto no cenário mais provável
quanto no máximo. (CanalEnergia, 2019).</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="1030" height="579" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-1030x579.jpg" alt="" class="wp-image-1402" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-1030x579.jpg 1030w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-300x169.jpg 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-768x432.jpg 768w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-705x397.jpg 705w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019-450x253.jpg 450w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_gatilhos-e-alternativas-da-GD-local-e-GD-remota-Proposta-ANEEL-2019.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /><figcaption>   Figura 4 – Proposta de revisão da REN nº 482 dada pela ANEEL em 2019.<br> Fonte: autoria própria com dados da ANEEL (2019).</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>A geração
distribuída já está madura?</strong></p>



<p>Atualmente
a GD conta com 130.338 micro ou minigeradores distribuídos pelo território
nacional totalizando 1.653 MW de capacidade, equivalente a 1% da capacidade em
geração centralizada (GC). Desses, 129.982 são fotovoltaicos e ¾ são
prossumidores residenciais.</p>



<p>Apesar
do crescimento exponencial da GD nos últimos anos, quase metade da potência
instalada se concentra apenas em 3 estados brasileiros (MG, SP e RS). Na
classificação estadual, os 13 últimos estados, juntos, contribuem apenas com
10% da potência instalada nacional.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="553" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_GD_estados-2019.png" alt="" class="wp-image-1403" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_GD_estados-2019.png 568w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_GD_estados-2019-300x292.png 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_GD_estados-2019-36x36.png 36w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_GD_estados-2019-450x438.png 450w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /><figcaption> Figura 5 – Geração distribuída: classificação estadual (dados coletados em 05 de novembro de 2019).<br> Fonte: autoria própria com dados da ANEEL.</figcaption></figure></div>



<p>Atualmente
existem 83 milhões de unidades consumidoras no País (referência de 2018) de
acordo com os dados compilados pela Associação Brasileira de Distribuidores de
Energia Elétrica (ABRADEE). A quantidade de prossumidores, portanto, é uma
ínfima parte deste número; apenas 0,15%.</p>



<p>Mesmo
com muito potencial para expansão a Agência afirma que a GD já está amadurecida
no País.</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“O diretor relator do processo destacou que a medida permitirá o avanço responsável da modalidade geração distribuída, que permanece atrativa, sem gerar passivos para os demais consumidores. “A proposta em consulta reconhece que a geração distribuída veio para ficar, que a modalidade está crescendo exponencialmente e alcançou a maturidade, portanto, é tempo de revisarmos o normativo para mais adiante não termos um efeito colateral negativo ao sistema elétrico”, completou o diretor.”</em> (ANEEL, 2019).</p></blockquote>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A
expansão da GD foi notável nos últimos anos, mas ainda está fortemente
concentrada nas regiões Sul e Sudeste. É difícil entender como se pode
considerar que se alcançou a maturidade se 7 estados brasileiros sequer têm
1.000 instalações. A taxa de crescimento seria nula ou muito pequena se a GD
estivesse madura. O crescimento exponencial indica o contrário.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>O
risco de subsídio cruzado e distorções de preço</strong></p>



<p>O
subsídio cruzado ocorre quando um grupo de consumidores paga mais para
subsidiar outro grupo de consumidores quando todos, de certa forma, usam ou tem
acesso ao mesmo produto e à mesma prestação de serviço, neste caso o
fornecimento de energia elétrica.</p>



<p>Para
a ANEEL, há risco de subsídio cruzado. Ou seja, consumidores dependentes
exclusivamente da rede custeiam prossumidores no uso da rede.</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“O regulador precisa equilibrar a regulamentação de modo que os consumidores que dependem exclusivamente da rede não sejam afetados por consumidores que geram a sua própria energia. Deve haver uma alocação justa de custos.”</em> (ANEEL, 2019).</p></blockquote>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O
conceito que sustenta esta afirmação é de que, para acomodar a expansão da GD
através de sistemas conectados às redes de distribuição, as empresas distribuidoras
de energia precisam investir na expansão, em melhorias e reforços das suas
redes ocasionando eventual elevação de custos que seriam repassados aos
consumidores por meio do aumento da tarifa. Por isso, investir na geração
própria de eletricidade fica mais atrativo, levando mais consumidores a
conectar sistemas à rede e, como em um ciclo vicioso, a tarifa aumenta novamente.</p>



<p>A Secretaria de Avaliação, Planejamento,
Energia e Loteria do Ministério da Economia (SECAP) em documento publicado este
ano diz que a energia injetada na GD distorce o preço da energia gerada na GC</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“A energia injetada pelos prossumidores durante os momentos ensolarados é consumida pelas demais unidades consumidoras da área de concessão, que, na prática, “pagam” por essa energia um preço que não condiz com o preço de compra praticado pelas distribuidoras nos leilões, distorcendo o preço da energia elétrica regulada.”</em> (SECAP, 2019).</p></blockquote>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O
Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
também se manifestaram sobre a compensação da GD no Plano Decenal de Expansão
de Energia 2027 (PDE 2027) publicado em 2018.</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Adicionalmente, o modelo de compensação de energia (net-metering), em conjunto com tarifas 100% volumétricas acabam dando sinais econômicos “fictícios” ao gerador distribuído. Isso porque parcelas do custo da rede, custos de programas setoriais e impostos são incluídos na “receita” do gerador, embora o seu “valor” para o sistema não seja equivalente. Portanto, idealmente a remuneração da geração distribuída injetada na rede deve ser dissociada da fatura de consumo da unidade. Dessa forma, garante-se que a remuneração seja explícita pela energia e serviços entregue de acordo com seu local e horário – facilitando a comparação com a geração centralizada –, e que os demais custos cobertos pelas tarifas continuem sendo pagos pelo consumidor.”</em> (MME/EPE, 2018).</p></blockquote>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Seguindo
a lógica anterior, a GD seria muito benéfica economicamente para prossumidores,
mas muito maléfica para a parcela de consumidores com menor poder aquisitivo,
tornando o consumo de eletricidade extremamente oneroso. Em um cenário extremo
os consumidores que dependem exclusivamente da rede subsidiariam a manutenção e
o crescimento da GD. As empresas distribuidoras de energia também endossam a
afirmação de risco de subsídio cruzado e o aumento da tarifa para
não-prossumidores.</p>



<p>Embora
os argumentos de subsídio cruzado pautem a revisão da resolução, a quantidade
de sistema conectados à rede é muito pequeno para justificar o argumento <em>ex
ante</em>, carecendo de análise quantitativa. Para detalhar o assunto cabe uma
pergunta: Quanto aumentaria a tarifa média, por região, ou distribuidora, em
função da quantidade de sistemas de micro e minigeração conectados ou da sua
potência instalada?</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Benefícios
da GD e mitigação local de problemas setoriais</strong></p>



<p>Desde
2015 as faturas de eletricidade dos consumidores brasileiros cobram as
bandeiras tarifárias, um adicional tarifário que entrou em vigor desde a crise
hidrológica iniciada em 2014. Com o recurso hídrico escasso, a geração
termelétrica, mais custosa, passou a suprir o <em>déficit</em> de geração hidrelétrica,
onerando os consumidores.</p>



<p>A
energia injetada pelo prossumidor é consumida muito próxima do ponto de
injeção, provavelmente no consumidor vizinho. Tal quantidade de energia é
cobrada pela distribuidora local como se a eletricidade tivesse sido gerada a
dezenas ou centenas de quilômetros dali, incluindo as perdas e encargos
baseados no modelo tarifário de GC, inclusive a bandeira tarifária.</p>



<p>O
primeiro benefício imediato da GD é a geração limpa de eletricidade, poupando
combustíveis para as termelétricas e água dos reservatórios das hidrelétricas.
Então, por que a energia injetada é cobrada com bandeiras tarifárias quando
faturada para outro consumidor local?</p>



<p>Outra
benesse é a postergação de investimentos em linhas de transmissão. Com a descentralização
da geração as perdas técnicas tendem a cair e beneficiam tecnicamente o sistema
elétrico de distribuição. Se por um lado a proposta cobrará pela energia
injetada, por outro a energia injetada deve ser remunerada pela redução de
perdas técnicas locais. Mas isso não está previsto na revisão.</p>



<p>O
atual modelo tarifário não comporta adequadamente o Sistema de Compensação pelo
seu impacto social dito negativo, subjetivamente; ao mesmo tempo o modelo é
injusto por não considerar as virtudes ambientais e técnicas. Ao invés de
modificar ou propor adequações no modelo tarifário atual, condena-se a GD.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Quais
os impactos da proposta para a GD?</strong></p>



<p>Para simular uma aplicação real, considerou-se uma tarifa de fornecimento hipotética (TE+TUSD) com impostos de R$ 0,80 por kWh, com as componentes tarifárias distribuídas da seguinte maneira para consumidores residências em baixa tensão (grupo B1).</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="665" height="316" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-2.png" alt="" class="wp-image-1413" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-2.png 665w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-2-300x143.png 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-2-450x214.png 450w" sizes="(max-width: 665px) 100vw, 665px" /><figcaption> Figura 6 – TE e TUSD e suas componentes tarifárias (valores hipotéticos).<br> Fonte: autoria própria.</figcaption></figure>



<p>Se
tomarmos um exemplo de um prossumidor residencial (com microgerador
fotovoltaico), capaz de gerar, em média, 200 kWh mensais e, consumo total da
residência de 300 kWh, podemos simular a economia mensal na regra atual e naquela
recentemente proposta.</p>



<p>Pela
regra atual de compensação integral, a fatura de energia é de (300-200) kWh
multiplicado pela tarifa de fornecimento, o que resulta em R$ 80,00. Neste caso
não importa quanta energia foi injetada e a economia é dada pela simples razão
da geração fotovoltaica pelo consumo total (200 kWh/300 kWh) ou 66,7%. Sem GD essa
residência pagaria R$ 240,00 (300 kWh · R$ 0,80/kWh) de eletricidade.</p>



<p>Para
entender o impacto financeiro da proposta de revisão, é preciso conhecer o
perfil de consumo do prossumidor para estimar quanta energia gerada será
injetada. Aqui entra um conceito importante conhecido como fator de
simultaneidade. Ele indica quanta energia gerada consegue ser consumida
instantaneamente pelo prossumidor. Em consumidores residenciais o fator de
simultaneidade é tipicamente baixo, entre 30% e 40%. Isso decorre que o consumo
residencial está concentrado em horários de ponta (maior consumo) e, portanto,
desalinhados com a geração fotovoltaica típica das 6h às 18h, fora da ponta.
Considerando um fator de simultaneidade de 36%, 128 kWh dos 200 kWh gerados
serão injetados na rede. A figura abaixo mostra o perfil de geração, injeção e
consumo com valores diários do balanço energético.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="570" height="167" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_perfil-de-consumo-residencial.png" alt="" class="wp-image-1406" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_perfil-de-consumo-residencial.png 570w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_perfil-de-consumo-residencial-300x88.png 300w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Proposta-REN-482_perfil-de-consumo-residencial-450x132.png 450w" sizes="(max-width: 570px) 100vw, 570px" /><figcaption>   Figura 7 – Geração, injeção e consumo diários (valores arredondados) para um prossumidor residencial.<br> Fonte: autoria própria.</figcaption></figure></div>



<p>Na prática, a revisão da resolução cobra pela energia injetada de acordo com as alternativas criadas (alternativa 0 a 5) e os custos são simulados de acordo com a tarifa de fornecimento.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="379" height="342" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-3.png" alt="" class="wp-image-1415" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-3.png 379w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-3-300x271.png 300w" sizes="(max-width: 379px) 100vw, 379px" /><figcaption> Figura 8 – Custo da energia injetada nas diferentes alternativas   (valores baseados na tarifa de fornecimento hipotética) para prossumidor residencial.<br> Fonte: autoria própria. </figcaption></figure></div>



<p class="has-text-align-left"> A proposta da ANEEL visa alterar a regra para a GD local usando a alternativa 2 como transição até o gatilho (5,9 GW ou 2030) e depois passar a compensar pela alternativa 5. Ou seja, neste exemplo, o prossumidor pagará 34% da tarifa de fornecimento para injetar energia pela alternativa 2 e 62% na alternativa 5. O custo adicional do prossumidor que injetou 128 kWh será de R$ 34,82 e R$ 63,49 para as alternativas 2 e 5, respectivamente.</p>



<p>Um outro exemplo: considerou-se uma tarifa de fornecimento hipotética (TE+TUSD) com impostos de R$ 0,72 por kWh para consumidores comerciais em baixa tensão (grupo B3). Uma empresa de pequeno porte investiu em um microgerador fotovoltaico capaz de gerar 1.800 kWh por mês. O consumo total é de 4.500 kWh mensais. O perfil de consumo é comercial, ou seja, tem um fator de simultaneidade mais alto; neste exemplo de 75%. Assim, 450 kWh serão injetados na rede, resultando em um custo de injeção de R$ 110,25 pela alternativa 2 e R$ 200,70 pela alternativa 5. Sem GD essa empresa pagava R$ 3.240,00 de fatura. Pelas alternativas 0, 2 e 5 pagaria, respectivamente, R$ 1.944,00, R$ 2.054,25 e R$ 2.144,70.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" width="383" height="351" src="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-4.png" alt="" class="wp-image-1416" srcset="https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-4.png 383w, https://inergial.com.br/wp-content/uploads/2019/11/image-4-300x275.png 300w" sizes="(max-width: 383px) 100vw, 383px" /><figcaption> Figura 9 – Custo da energia injetada nas diferentes alternativas   (valores baseados na tarifa de fornecimento hipotética) para prossumidor comercial.<br> Fonte: autoria própria.</figcaption></figure></div>



<p class="has-text-align-left"> Os
exemplos anteriores demonstram que o fator de simultaneidade é crítico para a
viabilidade financeira. Os prossumidores com fator de simultaneidade mais baixo
serão os mais afetados. Assim, espera-se que as residências fiquem mais
sensíveis e sejam mais impactados financeiramente. Os prossumidores com perfil
de consumo comercial estarão menos sensíveis a atual proposta.</p>



<p>Nota-se
que a alternativa 5 cobra mais que o valor da TUSD (R$ 0,40/kWh) pela energia
injetada e parece querer inibir a atuação do prossumidor (residencial ou
comercial) como gerador local. Ao contrário, o custo desproporcional sugere
punição ao prossumidor que romper com o modelo tradicional de distribuição.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p>A
sugestão de revisão do relatório de AIR de 2018 gerou críticas, mas mostrou-se viável
para o crescimento da GD, principalmente a local. A regra atual valeria por 25
anos, oferecendo segurança regulatória para as instalações existentes, e
transição de 10 anos para as instalações pós-revisão, embora o gatilho muito
baixo (1,25 GW) – que inclusive já foi superado – precisasse ser rediscutido
oportunamente.</p>



<p>A
proposta recente da ANEEL foi recebida com espanto e gerou reações ásperas. O
mercado esperava uma proposta coerente e alinhada com a sugestão do ano
passado. Adotou-se, contudo, a alternativa mais desfavorável para a GD, negligenciando
os prossumidores já conectados ou qualquer contribuição oferecida em consultas
públicas anteriores. A proposta tem força para extinguir a GD remota
desprezando um mercado pujante que desenvolveu milhares de negócios, criou
empregos e que demonstra o esforço genuíno de pessoas e empresas que investiram
capital próprio. Para prossumidores locais, os menos afetados serão os que têm
fator de simultaneidade maior, com consumo mais alinhado com geração.</p>



<p>É
nítido que a atual regra é incentivada para desenvolver a GD. Mas a proposta
tenta agora paralisar a expansão. A mudança da regra tenta remunerar as
distribuidoras de energia com argumentos subjetivos sobre maturidade do mercado
e subsídio. No primeiro os dados mostram o contrário e no segundo a análise
carece de estudo detalhado. O risco de subsídio cruzado precisa ser estimado e
quantificado para basear decisões. A análise, portanto, deve ser <em>ex post</em>.</p>



<p>Caso
a proposta se confirme como está, os prossumidores correm o risco de custear as
distribuidoras de energia se forem desconsiderados os benefícios técnicos
locais da GD, enquanto os consumidores que dependem exclusivamente da rede
provavelmente continuarão a pagar preços crescentes da tarifa.</p>



<p>A
GD é uma nova forma de gerar e consumir eletricidade e precisa de uma nova
estrutura tarifária que valorize os seus benefícios para a sociedade como um
todo. O modelo tarifário atual só fortalecerá o modelo centralizado de geração
que encontra do outro lado o consumidor-refém, cliente cativo do mercado
regulado. A quem interessa manter esse modelo?</p>



<p>Para
que a GD avance e expanda seus benefícios para a sociedade como um todo sugiro
mudanças pontuais na fatura do prossumidor:</p>



<ul><li>exclusão
de bandeira tarifária para a energia injetada;</li><li>redução
da cobrança das componentes ‘encargos’ da TE e da TUSD para a energia injetada;</li><li>redução
proporcional da componente ‘perdas’ em função do volume injetado;</li><li>substituição
do custo de disponibilidade por serviço de uso da rede;</li><li>bônus
para energia injetada em horários de maior demanda;</li></ul>



<p>Contribuições
sobre o assunto podem ser enviados até 30 de novembro de 2019 das seguintes
maneiras:</p>



<ul><li>e-mail
para: <a href="mailto:cp025_2019@aneel.gov.br">cp025_2019@aneel.gov.br</a></li><li>correspondência
para a ANEEL no endereço: SGAN, Quadra 603, Módulo I, Térreo, Protocolo Geral,
CEP: 70830-100, Brasília – DF.</li></ul>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>ABRADEE (Associação Brasileira de
 Distribuidores de Energia Elétrica). <strong>Planilhas de
 1996 a 2019 (ref. 2018).</strong> Disponível em <a href="http://www.abradee.org.br/planilhas-de-1996-a-2018-ref-2017/">http://www.abradee.org.br/planilhas-de-1996-a-2018-ref-2017/</a>.
 Acesso em 25 de outubro de 2019.</p>



<p>ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). <strong>BIG – Banco
 de Informações de Geração: Capacidade de Geração do Brasil</strong>.. Disponível em
 http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/capacidadebrasil.cfm. Acesso em 16 de outubro de 2019</p>



<p>—. <strong>Entenda melhor o que a ANEEL está propondo para o
 futuro da GD.</strong> Disponível em https://www.aneel.gov.br/sala-de-imprensa-exibicao-2/(&#8230;). Acesso
 em 17 de outubro de 2019.</p>



<p>—. <strong>Geração Distribuída.</strong> Disponível em http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Fonte.asp. Acesso
 em 18 de outubro de 2019.</p>



<p>—. <strong>Relatório de Análise de Impacto Regulatório nº
 0004/2018.</strong> Disponível na seção de Audiências Públicas (AP nº 001/2019).</p>



<p>—. <strong>Resolução Normativa n° 482.</strong> 2012.</p>



<p>—. <strong>Revisão das regras de geração distribuída entra em
 consulta pública.</strong> Disponível em https://www.aneel.gov.br/sala-de-imprensa-exibicao/(&#8230;).
 Acesso em 17 de outubro de 2019.</p>



<p>Agência Canal Energia. <strong>GD remota pode ver atratividade
 reduzida em 2020</strong><em>.</em> Disponível em http://canalenergia.com.br/noticias/53115332/gd-remota-pode-ver-atratividade-reduzida-em-2020. Acesso em 17 de outubro de 2019.</p>



<p>Delgado, Marco. <strong>A sociedade do Espetáculo II: eclipse
 energético.</strong> Out/2019. Disponível em http://www.abradee.org.br/a-sociedade-do-espetaculo-ii-eclipse-energetico-marco-delgado/. Acesso em 25 de outubro de 2019.</p>



<p>EPE (Empresa de Pesquisa Energética). <strong>Nota Técnica PR
 08/18. Recursos Energéticos Distribuídos 2050.</strong> Rio de Janeiro, 2018.</p>



<p>Santana, Edvaldo e Leite, Nelson Fonseca. <strong>Subsídios
 Tarifários têm Prazo de Validade?</strong> Disponível em <a href="http://www.abradee.org.br/subsidios-tarifarios-tem-prazo-de-validade/">http://www.abradee.org.br/subsidios-tarifarios-tem-prazo-de-validade/</a>. Acesso em 25 de outubro de 2019.</p>



<p>SECAP (Secretaria de Avaliação, Planejamento,
 Energia e Loteria do Ministério da Economia). <strong>Visão da SECAP sobre o Setor
 de Energia: o caso da micro e minigeração distribuída.</strong> Junho de 2019.
 Disponível em <a href="http://www.fazenda.gov.br/centrais-de-conteudos/publicacoes/analises-e-estudos/arquivos/2019/visao-da-secap-sobre-o-setor-de-energia-o-caso-da-micro-e-minigeracao-distribuida">http://www.fazenda.gov.br/centrais-de-conteudos/publicacoes/analises-e-estudos/arquivos/2019/visao-da-secap-sobre-o-setor-de-energia-o-caso-da-micro-e-minigeracao-distribuida</a>. Acesso em 24 de outubro de 2019.</p>



<p>MME (Ministério de Minas e Energia) /EPE (Empresa
 de Pesquisa Energética). <strong>Plano Decenal de Expansão de Energia 2027.</strong>
 Brasília, 2018.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p>Sobre o autor | <a href="https://www.linkedin.com/in/igor-cordeiro-inergial/">Igor Cordeiro</a> é instrutor de
energias renováveis na <a href="http://inergial.com.br/">Inergial Energia Ltda</a>.</p>
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