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	<title>Arquivos Eletricidade - Inergial</title>
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		<title>Eletricidade: disputa tecnológica, economia de escala e regulamentação do monopólio natural</title>
		<link>https://inergial.com.br/eletricidade-disputa-tecnologica-economia-de-escala-e-regulamentacao-do-monopolio-natural/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Barbieri Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 17:11:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eletricidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa é a segunda e última parte sobre a evolução do uso final da eletricidade desde o final do século XIX. A primeira parte abordou os primórdios do uso da eletricidade, o surgimento da indústria de geração elétrica e um dos primeiros serviços energéticos suprido por ela. Essa parte aborda a disputa tecnológica em torno [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p>Essa é a segunda e última parte sobre a evolução do uso final da eletricidade desde o final do século XIX. A primeira parte abordou os primórdios do uso da eletricidade, o surgimento da indústria de geração elétrica e um dos primeiros serviços energéticos suprido por ela. Essa parte aborda a disputa tecnológica em torno da geração e distribuição de energia elétrica e as estratégicas empresarias para disseminação do acesso à eletricidade.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>A Guerra das Correntes</strong></p>



<p>Em 1888, Nikola Tesla – que havia imigrado para os EUA para
trabalhar com Thomas Edison, e se demitiu pouco tempo depois – vendeu suas
patentes para George Westinghouse cuja empresa havia se tornado concorrente dos
empreendimentos de Thomas Edison (Nix, 2019).
De um lado, Edison, financiado por J.P. Morgan, e de outro, Westinghouse,
apoiado pela genialidade de Tesla, duelaram na chamada ‘Guerra das Correntes’
(do inglês, <em>War of the Currents</em>). Os primeiros promoviam a eletrificação
em corrente contínua (CC) e os últimos em corrente alternada (CA).</p>



<p>Mais do que obter a liderança em um mercado potencialmente enorme,
a Guerra das Correntes evidenciou a corrida pela valorização das patentes
tecnológicas dos dispositivos elétricos, desde a lâmpada incandescente CC de
Thomas Edison ao motor de indução CA de Nikola Tesla. Estabelecer centrais
geradoras e redes de distribuição com base em suas patentes daria enorme
vantagem para exploração comercial e a eletricidade era um meio para o consumo
dessas inovações.</p>



<p>A <em>World&#8217;s Columbian Exposition</em>, feira ocorrida em Chicago
em 1893, atraiu 27 milhões de visitantes. A <em>Westinghouse Electric Company</em>
conseguiu o contrato para iluminar a feira com suas lâmpadas, alimentadas por
24 geradores de 500 HP e com transformadores e equipamentos para demonstrar a
versatilidade e eficiência do sistema CA (Carlson, 2019), em conjunto com conversores rotativos
(conversores CA/CC) (Cudahy &amp; Henderson, 2005). A feira virou uma
página na Guerra das Correntes e demonstrou a superioridade da eletricidade em
CA.</p>



<p>Em 1896, entra em operação a usina hidrelétrica em Niagara Falls,
Nova Iorque, com geradores CA de Westinghouse, alimentando a cidade de Buffalo
a 42 quilômetros de distância (Nix, 2019)
com um sistema de transmissão de 11 kV. Tal empreendimento encerrou
definitivamente a controvérsia entre os rivais (Safiuddin, 2013) e a breve era dos sistemas CC esmaeceu.
Os sistemas CA obtiveram êxito porque apresentavam menor perda de energia em
transmissão de longas distâncias e eram seguros o suficiente para operação,
apesar do descrédito sofrido anos antes pela contrapropaganda de Edison.
Representantes de Edison também fizeram <em>lobby</em> para aprovar leis
estaduais e limitar a tensão máxima dos sistemas elétricos em 300 Volts (Carlson, 2019) com o intuito de
frear o avanço da tecnologia CA. A geração e transmissão em CA prevaleceu,
embora o consumo de eletricidade permaneceu em torno de 110 Volts (CA), nível
anteriormente definido por Edison para distribuição e uso final da
eletricidade.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>A Consolidação das <em>Utilities</em> Elétricas</strong></p>



<p>Três invenções do século XIX – o motor a combustão interna, a
turbina a vapor e o motor elétrico – foram essenciais para definir e moldar
toda a era do combustível fóssil que começou na década de 1890 (Smil, 2000). Centrais geradoras
(termelétricas e algumas hidroelétricas) se proliferaram rapidamente e
cresceram em capacidade de geração; redes de transmissão e distribuição
alcançaram regiões cada vez mais longínquas.</p>



<p>Contudo, a história sobre o nascimento e prosperidade desta
indústria estaria incompleta sem mencionar Samuel Insull, imigrante inglês que
começou sua carreira com Edison e se tornou um dos seus associados. A
estratégia de negócio de Insull era uma visão empresarial que concatenava
aspectos técnicos e econômicos com efeito de escala. Para Insull, otimizar a
capacidade e a eficiência dos geradores permitia reduzir o custo de cada
unidade de energia elétrica gerada em suas centrais, ou seja, consumir menos
carvão para cada kWh produzido. Foi sob o seu comando que a maior central
geradora da época foi construída e inaugurada em 1894, a <em>Harrison Street
Station</em>, em Chicago, com capacidade de 16,4 MW e geradores CA (Cudahy &amp; Henderson, 2005).</p>



<p>Apesar do sucesso com os sistemas CC em Chicago, a <em>Chicago
Edison Company</em>, presidida por Insull, foi a primeira empresa a empregar
comercialmente conversores rotativos – demonstrados na feira de Chicago – para
transmitir 2,3 kV em CA da <em>Harrison Street Station</em> para outra central,
abaixar a tensão, convertê-la e distribuí-la em CC (Cudahy &amp; Henderson, 2005).</p>



<p>Insull, de outro lado, estimulou a demanda; para operar seus
geradores em plena capacidade por mais tempo, alimentou elevadores e bondes durante
o dia, quando havia menos demanda por iluminação elétrica (IER, 2020). Outra estratégia
era expandir a distribuição elétrica para fora dos grandes centros e oferecer
preços mais baixos; ao procurar aqueles que usariam eletricidade fora das horas
de pico (à noite), Insull pôde aumentar o número de clientes e cobrar menos
pelo serviço para que pequenas empresas e famílias pudessem pagá-lo (PBS, 2020).</p>



<p>Insull promoveu agressivamente o uso da eletricidade por
eletrodomésticos e pequenos equipamentos industriais (Cudahy &amp; Henderson, 2005), diversificando o
uso da eletricidade para além da iluminação elétrica. Com habilidade extrema,
uniu tecnologia e economia com uma visão empresarial de <strong>diferenciação por
custo</strong>, massificando o acesso à eletricidade barata para milhões de
americanos. O seu legado é relacionado à <strong>economia de escala</strong> das centrais
geradoras e das redes elétricas. Entretanto, talvez a sua maior contribuição
tenha sido que outros serviços energéticos emergissem com a eletricidade devido
à queda abrupta do preço da eletricidade.</p>



<p>As pequenas e médias cidades, impacientes por serviços confiáveis
e eficientes, aproveitaram as baixas taxas de juros oferecidas pelos títulos
isentos de impostos para estabelecer suas próprias empresas de energia, que
cresceram duas vezes mais rápidas do que as empresas elétricas privadas,
passando de 400 em 1896 para mais de 1.250 uma década depois (Cudahy &amp; Henderson, 2005).</p>



<p>Temendo que o fornecimento de eletricidade se tornasse aos poucos
uma utilidade de propriedade exclusivamente pública com abusos locais, Insull
propõe a regulamentação estadual do serviço. Em 1907, a Federação Cívica
Nacional publica o primeiro documento defendendo a regulamentação com o
argumento de que a indústria não podia ser regulada pela competição (Simon, 1993). Enquanto as
empresas, públicas ou privadas, fossem obrigadas a atender os seus clientes
indistintamente, seriam apreciadas com concessões exclusivas em uma determinada
área. Desse modo, o risco do investimento na infraestrutura elétrica seria
drasticamente reduzido.</p>



<p>A regulamentação, portanto, ajudaria as empresas a se manter
financeiramente estáveis com preços (tarifas) determinados, baseados no custo
da eletricidade fornecida, acrescido da margem de lucro para futuros
investimentos e modernizações. Desta maneira, a proposta de regulamentação, na
prática, legalizava o monopólio privado fiscalizado pelo poder público. O <strong>monopólio
natural</strong> regulamentado, foi a última peça para institucionalizar as bases
das <em>utilities</em> elétricas como as conhecemos hoje.</p>



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<p><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p>Muitos países seguiram o modelo de geração centralizada e
distribuição da eletricidade com concessão de monopólios por região. Para
acompanhar o consumo, demandou-se a construção de inúmeros empreendimentos de
geração, a partir de diversas fontes primárias de energia. Linhas de
transmissão cada vez mais longas e redes de distribuição cada vez mais entrelaçadas,
capilarizaram o acesso à eletricidade.</p>



<p>Tudo isso se consolidou pelo empenho e trabalho de nomes
importantes da ciência e do meio empresarial. Cada um contribuiu, à sua
maneira, para que eletricidade estivesse acessível a bilhões de pessoas no
mundo inteiro.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>Carlson, W. B. (27 de setembro de 2019). <em>Edison and
  Tesla&#8217;s cutthroat &#8216;Current War&#8217; ushered in the electric age</em>. Acesso em 18 de setembro de 2020, disponível em
  National Geographic:
  https://www.nationalgeographic.com/history/magazine/2016/07-08/edison-tesla-current-war-ushered-electric-age/</p>



<p>Cudahy, H. R.,
  &amp; Henderson, W. D. (2005). <em>From Insull to Enron: Corporate
  (Re)Regulation After the Rise and Fall of Two Energy Icons.</em> Research
  Paper Number 18, Indiana University, School of Law, Bloomington. Fonte:
  http://ssrn.com/abstract=716321</p>



<p>IER. (2020). <em>History of Electricity</em>. Acesso
  em 15 de setembro de 2020, disponível em Institute for Energy Research:
  https://www.instituteforenergyresearch.org/history-electricity/</p>



<p>Nix, E. (24 de outubro de 2019). How Edison, Tesla
  and Westinghouse Battled to Electrify America: The epic race to standardize
  the electrical system—later known as the War of the Currents—lit up
  19th-Century America. History. Acesso
  em 15 de setembro de 2020, disponível em History:
  https://www.history.com/news/what-was-the-war-of-the-currents</p>



<p>PBS. (2020). <em>Who Made America?</em> Acesso em 17
  de setembro de 2020, disponível em
  https://www.pbs.org/wgbh/theymadeamerica/whomade/insull_hi.html</p>



<p>Safiuddin, M.
  (2013). History of Electric Grid. Em D. Apple, R. Elmoudi, I. Grinberg, S. M.
  Macho, &amp; M. Safiuddin (Eds.), <em>Foundations of Smart Grid</em> (pp.
  6-11). Pacific Crest.</p>



<p>Simon, J.-P.
  (1993). The origins of US public utilities regulation: elements for a social
  history of networks. <em>FLUX, 11</em>, pp. 33-40.
  doi:https://doi.org/10.3406/flux.1993.940</p>



<p>Smil, V. (2000).   Energy in the 21st Century: Resources, Conversions, Costs, Uses, and   Consequences. <em>Annual Review of   Energy and the Environment</em>, pp.   21–51. Acesso em 20 de setembro de 2020.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Eletricidade: primórdios da sua geração e do seu uso</title>
		<link>https://inergial.com.br/eletricidade-primordios-da-sua-geracao-e-do-seu-uso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Barbieri Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2021 18:36:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eletricidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os primórdios do uso da eletricidade, o surgimento da indústria de geração elétrica e um dos primeiros serviços energéticos suprido por ela.</p>
<p>O post <a href="https://inergial.com.br/eletricidade-primordios-da-sua-geracao-e-do-seu-uso/">Eletricidade: primórdios da sua geração e do seu uso</a> apareceu primeiro em <a href="https://inergial.com.br">Inergial</a>.</p>
]]></description>
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<p>Essa é a primeira de duas partes sobre a evolução do uso final da
eletricidade desde o final do século XIX. A primeira parte aborda os primórdios
do uso da eletricidade, o surgimento da indústria de geração elétrica (<em>utilities</em>)
e um dos primeiros serviços energéticos suprido por ela.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Introdução</strong></p>



<p>Eletricidade é uma forma de energia tão presente em nossas
atividades diárias que não nos damos conta onde ela é produzida nem como ela
chega até nós. Um olhar mais atento nos fará perceber que as redes elétricas
ligam as centrais de geração – onde os recursos energéticos estão disponíveis –
aos centros de consumo, através de uma rede extensa de cabos e complexos
dispositivos elétricos.</p>



<p>Apesar da acessibilidade da energia elétrica moderna, essa
essencial forma de energia nem sempre esteve disponível continuamente quando
surgiu. No início, a geração de eletricidade em quantidades significativas era
um obstáculo econômico para a sua adoção. A iluminação foi o primeiro serviço
energético eletrificado, mas ainda era cara e restrita a poucos. Mesmo assim,
importantes nomes da ciência e do meio industrial perseguiram a ideia de disseminação
do uso da eletricidade.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Os Primórdios do Uso Final da Eletricidade</strong></p>



<p>A eletricidade já era conhecida pela humanidade, mas a geração em
quantidade significativa é relativamente recente. Em 1831, Michael Faraday
demonstra a indução eletromagnética, o princípio tecnológico para a construção
de geradores elétricos capazes de converter energia mecânica em energia
elétrica. As bases tecnológicas para se obter energia mecânica já haviam sido
consolidadas anteriormente com o motor a vapor que convertia energia térmica,
geralmente queimando carvão, em energia mecânica. Em 1871, Zénobe Gramme,
engenheiro belga, aprimorou o dínamo – a <em>Gramme Machine</em> – um avanço
tecnológico que deu impulso à comercialização da eletricidade.</p>



<p>Em 1876, Charles Brush desenvolve uma nova lâmpada a arco voltaico
e um novo dínamo, considerado pela <em>The Franklin Institute</em> o mais
eficiente até então. No início da década de 1880, muitos sistemas de iluminação
elétrica foram instalados nos Estados Unidos, iluminando fábricas, lojas,
prédios públicos e ruas (Shiman, 1993). Em 1880, Brush inaugura uma pequena
central de geração elétrica para um sistema de iluminação com suas lâmpadas na
Broadway, Nova Iorque, competindo com Thomas Edison pela eletrificação da
cidade (Carlson, 2019). Cada um buscava o sucesso comercial de
suas inovações: a lâmpada a arco e a lâmpada de filamento incandescente,
respectivamente. A <em>Brush Electric</em> <em>Company</em>, entretanto, forneceu
80% do equipamento de iluminação a arco nos Estados Unidos, com as cidades de
Nova Iorque, Boston e Filadélfia entre seus clientes, até ser comprada pela
concorrente <em>Thomson-Houston Electric Company,</em> em 1889 (Case Western Reserve University, 2020).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>O Nascimento da Geração Centralizada</strong></p>



<p>Em 1882, Thomas Edison inaugurou as duas primeiras centrais de
geração a carvão do mundo, uma em Londres, na <em>Holborn Viaduct</em> e outra em
Nova Iorque, a <em>Pearl Street Station</em> (Smil, 2017)
e a indústria das <em>utilities</em> para fornecimento de eletricidade dava os
seus primeiros passos com esses dois empreendimentos. O local da Pearl Street
Station<em>,</em> próximo ao distrito financeiro em Manhattan, foi cuidadosamente
escolhido por Edison após uma extensa pesquisa de mercado, pois a área de
atendimento era densa em comércios e residências. O sistema de distribuição, de
24 km de extensão com cabos subterrâneos (Sulzberger, 2016), fornecia eletricidade em tensão
contínua de 110 Volts para iluminação pública local e para residências da
região. A Pearl Street Station, contudo, era uma central de cogeração com 4
caldeiras que supriam 6 dínamos – apelidados de <em>Jumbos</em> – de 100 kW e 27
toneladas cada (IER, 2020),
fornecendo eletricidade em corrente contínua e calor para alguns consumidores.
De início, com 59 clientes nova-iorquinos (The New York Times, 1979), passou a atender,
em 1884, pouco mais de 500 clientes e 10 mil lâmpadas (Energy Story, 2015).</p>



<p>Os sistemas de iluminação anteriores à Pearl Street Station eram
sistemas dedicados e atendiam a uma carga específica. O serviço era cobrado por
lâmpada acessa, custava muito caro e era acessível apenas para empresas e
cidades que podiam pagar por ele. Os primeiros sistemas de geração elétrica
eram, portanto, descentralizados, instalados muito próximos do local de
consumo.</p>



<p>Em princípio, Edison mudou o modelo do serviço energético de
iluminação, fornecendo energia a partir de uma central não dedicada e cobrando
a eletricidade como um serviço, com caráter público e geral. Para isso, no
final de 1881, pouco tempo antes da inauguração do serviço, patenteou seu
medidor de energia elétrica.</p>



<p>Entretanto, o seu maior desafio era o fato de que o seu sistema só era econômico onde havia um centro densamente povoado com clientes suficientes para compensar o custo de instalação da rede (Carlson, 2019). Com o tempo, o <strong>modelo de geração centralizada</strong>, inaugurada por Edison, foi sendo universalizado e as centrais geradoras se multiplicaram rapidamente.</p>



<p>De início, a eletricidade como serviço era muito cara, sendo
acessível a uma minoria abastada e restrita a uma área relativamente pequena.
As perdas técnicas do sistema de corrente contínua limitavam a expansão
geográfica, mas uma nova tecnologia ajudaria definitivamente essa indústria a
dar passos mais largos.</p>



<p>A segunda parte dessa história abordará as bases tecnológica,
econômica e política que transformaram a indústria da eletricidade e a
consolidaram como a conhecemos hoje.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>Carlson,
  W. B. (27 de setembro de 2019). <em>Edison and Tesla&#8217;s cutthroat &#8216;Current War&#8217; ushered in
  the electric age</em>. Acesso em 18 de
  setembro de 2020, disponível em National Geographic:
  https://www.nationalgeographic.com/history/magazine/2016/07-08/edison-tesla-current-war-ushered-electric-age/</p>



<p>Case Western
  Reserve University. (2020). <em>Brush Electric Co.</em> Acesso em 18 de setembro de 2020, disponível em
  Encyclopedia of Cleveland History:
  https://case.edu/ech/articles/b/brush-electric-co</p>



<p>Energy Story. (10
  de agosto de 2015). <em>Pearl Street Power Station</em>. Acesso em 18 de setembro de 2020, disponível em
  Energy Story: https://energystory.org/pearl-street-power-station/</p>



<p>IER. (2020). <em>Electricity Generation</em>. Acesso
  em 18 de setembro de 2020, disponível em Institute for Energy Research:
  https://www.instituteforenergyresearch.org/electricity-generation-2/</p>



<p>Shiman, D. R.
  (1993). Explaining the Collapse of the British Electrical Supply Industry in
  the 1880s: Gas versus Electric Lighting Prices. <em>Business and Economic History, 22</em>(1), pp. 318–327. Acesso em 20 de setembro de 2020,
  disponível em http://www.jstor.org/stable/23703194</p>



<p>Smil, V. (2017). <em>Energy:
  A Beginner´s Guide</em> (2ª ed.). Minneapolis:
  Oneworld.</p>



<p>Sulzberger, C. (27 de janeiro de 2016). <em>The Pearl Street
  Generating Station, 1882</em>. Acesso em 18
  de setembro de 2020, disponível em Engineering and Technology History Wiki:
  https://ethw.org/Milestones:Pearl_Street_Station,_1882</p>



<p>The New York   Times. (6 de fevereiro de 1979). <em>‘War of the Currents’ Had Profound Impact</em>.   Acesso em 15 de setembro de 2020,   disponível em https://www.nytimes.com/1979/02/06/archives/war-of-the-currents-had-profound-impact-the-war-of-the-currents-had.html</p>



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