FAQ | Energia Solar e Geração Distribuída no Brasil

Este artigo traz as perguntas e respostas mais usuais em torno do assunto da geração distribuída com energia solar no Brasil. Se você é um profissional da área ou se pretende se tonar um, talvez você encontre aqui respostas para algumas perguntas. Caso alguma dúvida persista, escreva para nós!

 

1.    Qual a diferença entre energia solar térmica e solar fotovoltaica?

A energia solar térmica é a conversão da luz solar diretamente em calor e é utilizada para aquecimento de água, principalmente em residências. A energia solar fotovoltaica é a conversão de luz solar diretamente em eletricidade e sua aplicação tem sido crescente para geração própria de energia em residências, comércios e indústrias.

 

2.    Quem pode fazer uso da energia solar fotovoltaica?

Qualquer consumidor de eletricidade no Brasil – uma pessoa ou empresa – pode gerar sua própria eletricidade.

 

3.    Por que a energia solar tem sido tão falada ultimamente?

Na verdade, temos ouvido falar bastante de energias renováveis. Assim como a energia solar, outras fontes de energias renováveis como a eólica, por exemplo, têm ganhado atenção por vários motivos. Entre esses:

·  há o comprometimento de muitos países para substituir fontes fósseis por fontes mais limpas para geração de eletricidade;

· amadurecimento de tecnologias que viabilizaram o uso de fontes renováveis;

· acessibilidade comercial decorrente da queda do preço de equipamentos e consequente competitividade do custo nivelado da eletricidade e,

· regulamentação governamental local, possibilitando que consumidores de eletricidade possam também gerar a sua própria energia. A isso se deu o nome de Geração Distribuída.

 

4.    Como funciona um sistema de energia solar fotovoltaica?

Um sistema fotovoltaico é composto basicamente de um conjunto de módulos solares conectados entre si, um dispositivo eletrônico chamado inversor, cabos elétricos, dispositivos de proteção como fusíveis, disjuntores, dispositivos contra surto, além de interruptores e seccionadoras.

 

5.    Qual é a função de cada equipamento do sistema fotovoltaico?

Os módulos solares são os equipamentos ativos do sistema, ou seja, são eles que geram a eletricidade. O inversor converte a corrente elétrica contínua em corrente elétrica alternada. Cabos elétricos conduzem a eletricidade e os dispositivos de proteção e manobra protegem o sistema fotovoltaico, a rede elétrica e as pessoas.

 

6.    Um sistema fotovoltaico precisa de bateria para armazenar a energia gerada?

Se existe rede elétrica na região os sistemas fotovoltaicos não precisam de bateria. Neste caso, a eletricidade é entregue ao consumidor através de uma distribuidora local e o sistema fotovoltaico é conectado à rede elétrica. Sistema fotovoltaicos que armazenam a energia gerada são chamados de “isolados” e normalmente são instalados por consumidores que não são atendidos por distribuidoras de energia. Hoje, a maioria das instalações são de “sistemas fotovoltaicos conectados à rede” ou também conhecidos como sistemas “on-grid”.

 

7.    Um sistema fotovoltaico conectado à rede é capaz de fornecer energia quando houver interrupção de energia?

Não. Um sistema on-grid não é um sistema auxiliar em caso de interrupção de energia pela distribuidora local. Por segurança, o sistema deverá se desconectar da rede elétrica e isso é feito automaticamente pelo inversor que, além de converter a energia dos módulos, otimiza a entrega de potência para as cargas, sendo o “cérebro” do sistema.

 

8.    Se o sistema não pode funcionar como back-up, qual é a sua vantagem?

Um sistema on-grid tem muitas vantagens. Pelo ponto de vista dos consumidores a principal delas é a economia. Já imaginou poder gerar sua própria energia a um custo baixo? O retorno econômico do investimento é bem menor que a vida útil do sistema e, além disso, a geração de energia é segura, limpa e sustentável. A desvantagem é que o investimento inicial pode ser alto, dependendo do tamanho (potência) do seu sistema.

 

9.    Como saber qual é o tamanho ideal do sistema para a minha necessidade?

Considerando-se que o sistema suprirá todo o seu consumo atual de energia, o ponto de partida é analisar o histórico de consumo dos últimos 12 meses. Esta informação está indicada nas faturas de energia elétrica enviadas mensalmente pela sua distribuidora. O consumo é a quantidade de energia elétrica entregue pela distribuidora dentro do período de um mês e é indicada em kWh (quilowatt-hora). Quanto maior o consumo, maior a quantidade de módulos solares necessários e, consequentemente, mais potentes serão os inversores. Lembre-se, o investimento é proporcional à potência (tamanho) do sistema!

 

10. Como faço para instalar um sistema fotovoltaico na minha residência ou empresa?

O sistema fotovoltaico pode ser facilmente adquirido por pessoas ou empresas, mas recomendamos a contratação de uma empresa integradora que será responsável pelo projeto, instalação e solicitação de conexão do seu sistema à rede elétrica local.

 

11. É necessária alguma ação pós-instalação para usar o sistema?

Sim, o sistema fotovoltaico estará oficialmente conectado à rede elétrica quando o acesso à rede (conexão) for solicitado à distribuidora local. A conexão do sistema transforma o consumidor de energia também em um gerador de energia, que passará a utilizar a rede elétrica para distribuir eletricidade em caso de excesso de geração. Assim, os dados de todo gerador passam a ser conhecidos pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

 

12. O que é necessário para solicitação de acesso do sistema fotovoltaico à rede elétrica? Tem custo para isso?

Normalmente a empresa contratada para o projeto e instalação também se encarrega desta solicitação seguindo um procedimento padrão. Alguns documentos e informações são obrigatórias para a solicitação de acesso:

·   Relatório com informações do sistema fotovoltaico e do consumidor;

·   Projeto elétrico do sistema fotovoltaico;

·   Anotação de responsabilidade técnica (ART) emitida por engenheiro responsável;

·   Ficha de acesso.

A distribuidora não pode cobrar pelo acesso do seu sistema à rede (1). O recebimento da solicitação, emissão de parecer, visita técnica e instalação do medidor bidirecional não têm custo!

(1) os custos de eventuais estudos, melhorias e reforços na rede de distribuição para conexão de microgeração (até 75 kW) são exclusivos da distribuidora, exceto em caso de geração compartilhada. Poderá haver custos para minigeração, em casos especiais.

 

13. A geração distribuída é regulamentada no Brasil?

Sim, a geração distribuída no Brasil é regulamentada pela Resolução Normativa nº 482 de abril de 2012 (REN 482/2012) da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica – que regula e fiscaliza o setor elétrico nacional. Além desta resolução, procedimentos e normas técnicas devem ser seguidos para garantir o projeto e a instalação adequados, além da operação segura dos sistemas de geração distribuída.

 

14. Como é o funcionamento do sistema em dias nublados, chuvosos e à noite?

O sistema fotovoltaico pode gerar energia mesmo em dias nublados e chuvosos, mas a quantidade de energia será bem menor que em dias de céu aberto com bastante luz solar. À noite o sistema não gera energia, mas sua residência ou empresa está conectada à rede elétrica e, portanto, o consumo de eletricidade é normal neste período.

 

15. O que acontece se a geração de energia for maior que o consumo?

Quando a energia gerada não é consumida instantaneamente o inversor automaticamente injeta a energia na rede elétrica. Toda a energia injetada se torna um crédito de energia que poderá ser usada pelo consumidor posteriormente. Caso exista acúmulo de crédito, o consumidor tem 5 anos para utilizá-lo. Os créditos de energia ainda podem ser utilizados remotamente, por outro imóvel dentro da mesma área de concessão da distribuidora, mesmo que não exista um sistema fotovoltaico instalado. Esta modalidade é conhecida como autoconsumo remoto.

 

16. Qual é a vida útil e a garantia dos equipamentos do sistema?

A maioria dos fabricantes de módulos solares garantem a geração de energia por 25 anos, mas com degradação de potência. Isso significa que a capacidade de geração de eletricidade diminui com o tempo. Ou seja, é provável que a vida útil dos módulos possa ser superior ao tempo indicado, embora com rendimento menor. É importante destacar também que a garantia dos módulos não é de 25 anos, como algumas empresas publicam erroneamente. Normalmente, a garantia dos módulos é de 10 anos e a dos inversores de 5 anos. Contudo, sempre consulte estas informações porque elas podem mudar.

 

17. Quais são as despesas de operação e manutenção?

As despesas de operação do sistema são baixas. Basicamente há um pequeno consumo de eletricidade pelo inversor, que fica em stand by à noite. A manutenção do sistema também é baixa, mas ela existe! Considere que os módulos precisam ser limpos com certa periodicidade para evitar problemas de geração. Eventualmente algum módulo pode sofrer alguma avaria devido a sua exposição à chuva, poeira, temperatura e etc. Os inversores também podem sofrer avarias com consequente despesa de assistência técnica. Então, é bom considerar despesas de manutenção ao longo de alguns anos de operação.

 

Gostou do artigo ou quer nos dar uma sugestão de melhoria? Escreva para info@inergial.com.br

Para ler outros artigos e publicações acesse o nosso Blog.

Para saber mais sobre este interessante assunto inscreva-se em um dos nossos cursos. A programação dos cursos está disponível aqui.

A Inergial também está presente nas redes sociais: LinkedIn e Facebook.

Sobre o autor | Igor Cordeiro é consultor e instrutor de energias renováveis na Inergial Energia Ltda.